sexta-feira, 27 de julho de 2012

Especial: História do Batman


O herói mascarado criado pelo cartunista Bob Kane tornou-se, ao longo de seus 73 anos, um ícone da cultura pop, ultrapassando as páginas das histórias em quadrinhos. Estimulada pelo sucesso do Superman, publicado na revista Action Comics, a National Publications (editora que se tornou hoje a DC Comics) contratou Kane para criar um novo herói, cujo visual se baseou nos desenhos de Leonardo Da Vinci que mostrava um homem voando com asas. Com a colaboração do escritor Bill Finger, que lapidou o visual e as ideias apresentadas, Batman chegou às páginas de “Detective Comics” #27 (Maio de 1939) claramente influenciado pela literatura pulp.
A duplicidade de Bruce Wayne, um aristocrata que leva vida dupla para punir os criminosos, era uma óbvia referência ao “Zorro” de Johnston McCaulley. A inspiração para Batman ainda incluía o aspecto soturno e violento do Sombra (de Walter Gibson) com o qual Batman estimula o medo nos criminosos. Já na primeira história “The Case of the Chemical Syndicate”, Batman demonstra não apenas suas habilidades físicas, mas também raciocínio detetivesco, que conforme o próprio Bill Finger revelou anos mais tarde, foi inspirado nas aptidões de Sherlock Holmes. Já na primeira história, aparece um dos mais importantes coadjuvantes nas histórias de Batman: o Comissário Gordon, inestimável aliado na luta contra o crime.
Vários fatores colaboraram para o apelo do herói: o aspecto psicológico na figura de um homem perturbado que transforma seu trauma em uma cruzada. Bruce Wayne torna-se, então, a máscara que usa para disfarçar sua dor e sua verdadeira natureza. A motivação de Batman é a mais realista dos heróis das HQs. Batman é produto de uma sociedade doentia e cruel que desmorona sob o peso de sua falha moral. A própria cidade do herói, que no começo era Nova York, a mítica Gotham City (mencionada pela primeira vez em Batman #4) parece um personagem cujas sombras emolduram a complexidade da própria natureza humana.
Detective Comics #27 : A primeira aparição de Batman nas HQs. Batman #1 em 1940 e O Lobinho (Primeira aparição de Batman no Brasil)
Batman no Brasil. Em 1940, nos Estados Unidos, Batman ganhou seu próprio título e no mesmo ano chegou ao Brasil, especificamente em Novembro de 1940, nas páginas da revista “O Lobinho” nº 7, publicada pelo Consórcio Nacional de propriedade de Adolfo Aizen, pioneiro das HQs e que também havia publicado o Superman pela primeira vez em nossas terras. O personagem passou por adaptações curiosas. Assim, Gotham foi batizada de Riacho Doce e Bruce Wayne recebeu o nome de Bruno Miller. Na década de 50, Adolfo Aizen da saudosa Editora Brasil América (Ebal) passou a publicar Superman, Batman e os demais heróis da Dc Comics e os nomes verteram para o original. A Ebal foi o lar desses heróis por praticamente 30 anos, até migrarem para a Editora Abril (em 1984) e para a Panini Comics (de 2002 até hoje). Também coube a Aizen a publicação de outros heróis como Fantasma, Flash Gordon, Dick Tracy, Príncipe Valente e até mesmo os heróis Marvel.
As Mudanças: Batman tem sobrevivido ao longo de tanto tempo por resistir às várias interpretações, próprias de cada época. A falta de super-poderes é compensada por uma determinação férrea que desperta admiração e identificação por parte dos leitores. No começo, Batman era bastante violento e sombrio e a criação de Robin (em Detective Comics # 38, Abril de 1940) serviu justamente para suavizar essa característica, além de criar um personagem que servisse de ponte com o público leitor jovem. O sucesso de Robin inaugurou a tradição dos Sidekicks (parceiros de heróis), que se proliferou ao longo da década de 40. Ainda assim, Batman era severamente criticado pela violência de seus atos e mal visto por levar consigo uma criança, no caso o menino-prodígio, para uma vida de lutas e crime.
Simbolo oficial do Batman.
O auge dessa visão moralista foi alcançado em 1954 quando o psicólogo Fredric Wertham publicou “The Seduction of The Innocent” acusando os personagens dos quadrinhos de um comportamento imoral e de serem estímulos à deliquência juvenil. Vários personagens foram atacados pela cruzada moralista do Dr.Wertham que se ajustou perfeitamente ao clima de caça às bruxas da era MacCarthy. Batman foi o personagem mais criticado, acusado de homossexual por morar na Mansão Wayne com um jovem pupilo e seu fiel mordomo. Para driblar o peso das acusações foi criado o personagem da Tia Harriet, que se muda para a mansão Wayne (Detective Comics # 328 em 1964) quando o mordomo Alfred aparentemente morre.
Os vilões psicóticos, que formavam uma criativa galeria de tipos vilanescos, foram trocados por adversários mais fantasiosos, e assim durante a década de 50, Batman passa a enfrentar cientistas loucos, invasores vindos de outro planeta ou até mesmo de outra dimensão, como o Bat-mirim, um duende de outra dimensão e que se torna admirador do herói. Também nesta época, as histórias apresentam a Batwoman, versão feminina do cruzado embuçado cuja identidade secreta é Kathy KANE!! e que se torna interesse amoroso do herói para afastar os rumores incendiados pelo Dr.Wertham.
Outra personagem criada para afastar as acusações de homossexualismo e pedofilia foi a Betty Kane, a Bat-Girl, sobrinha da Batwoman. Mais tarde, por ocasião do seriado de TV, Barbara Gordon, filha do comissário, torna-se a nova Batgirl que teria um namoro velado com o Robin. O Batman desenhado por Dick Sprang também é mais sorridente e deixa de lado seu aspecto sombrio, tentando se adequar à pressão moralista da era Eisenhower.
Isso mudaria, no entanto, no início dos 70, quando o autor Denny O’Neill, junto aos artistas Neal Addams e Dick Giordano retomam as características sombrios de Batman produzindo uma fase maravilhosa. Nela, Batman torna-se um vigilante solitário com poucas aparições de Robin ou da Bat-girl. Vilões clássicos e esquecidos são retomados (como o Duas Caras) e novos vilões surgem, como o diabólico Ra’s Al Ghul, terrorista e líder de uma organização mundial que intenciona promover o caos global como forma de conter o crescimento desordenado da raça humana.
A mudança renova o público-leitor do herói e o projeta durante toda a década, tornando-se uma das fases mais marcantes para os fãs até hoje. A renovação se faz novamente necessária na segunda metade dos anos 80 quando Frank Miller, escritor e desenhista, que havia revolucionado as histórias do Demolidor da rival Marvel Comics, é contratado para produzir a mini-série “Cavaleiro das Trevas”, que se tornou um marco não só para o personagem como também para toda a indústria dos quadrinhos.
Da esquerda para a direita : A HQ “O Cavaleiro das Trevas” (No original :Batman The Dark Knight Returns) e duas capas de “Ano Um” (Year One) que reconta a origem do herói e foi usada como fonte para o roteiro de Batman Begins
A mini-série, dividida em 4 partes, rompe com qualquer laço infantil e cria uma parábola moderna sobre política e sociedade na era Reagan, colocando um Batman cinquentão retomando suas atividades ao lado de uma Robin mulher para combater a violência em um mundo onde o super-heroísmo foi banido, a privatização da lei e da ordem levou as ruas ao caos, e o Super-Homem tornou-se cão de guarda do governo. Frank Miller conseguiu elevar o status do homem morcego a um novo patamar em que os quadrinhos se voltam para um público adulto, capaz de ler nas entrelinhas um tom de crítica ácida.
“O Cavaleiro das Trevas” pode não ser o Batman definitivo, mas certamente é o mais obscuro, o mais amargo e o mais impactante de um gênero que se distanciou do público infantil para crescer, amadurecer, criando um padrão que seria seguido com bons ou maus resultados ao longo das duas décadas seguintes. O sucesso trouxe Frank Miller de volta ao personagem para recontar sua origem na mini-série “Batman: Ano Um” com desenhos de David Mazzuchelli. O tom realista dessa obra foi a influência principal para o Batman de Christopher Nolan e para toda uma geração a versão definitiva de como um homem resolveu fazer de sua perda, sua força e maldição eternas, para muitos uma lenda urbana, tomando o medo em suas próprias mãos e fazendo-nos desejar que a vida real também tivesse um cavaleiro das trevas que nos cuidasse quando o mundo nos abandona.
Batman nas Telas
A relação de Batman com o cinema remonta aos primórdios da sétima arte. A ideia de um herói baseado na figura assustadora de um quiróptero (morcego), Bob Kane tirou – reza a lenda - do filme “The Bat Whispers”, um thriller de 1930 sobre um mestre do crime que aterroriza os ocupantes de uma mansão. Já o Coringa, arqui-inimigo do herói mascarado, foi inspirado na figura de Conrad Veidt (o Major Strasser de “Casablanca”) no filme expressionista “The Man Who Laughs”, de 1928, que adapta de Victor Hugo a história de um homem cujo sorriso lhe desfigura o rosto.
A primeira adaptação de Batman para as telas foi um seriado em 15 capítulos, produzido pela Columbia em 1943, batizado no Brasil de “O Morcego” (The Batman). Na história, Batman (Lewis Wilson) e Robin (Douglas Croft) enfrentam o maligno Dr.Daka, um espião japonês que transforma as pessoas em escravos de Hitler. Tudo bem ao sabor da época em que os heróis da ficção eram jogados contra o mal representado pelas forças do eixo. Apesar das críticas, o personagem ganhou um segundo seriado em 1949, também dividido em 15 capítulos, entitulado “A Volta do Homem-Morcego” (Batman and Robin) onde a dupla dinâmica aparece personificada respectivamente  por Robert Lowery  e Johnny Duncan. O inimigo desta vez é o terrível vilão mago que rouba diamantes para produzir um poderoso combustível.
Da esquerda para a direita : “The Bat Whispers” de 1930 que inspirou Bob Kane, Conrad Veidt em “The Man Who Laughs” - a inspiração para a criação do Coringa e os seriados da Columbia na década de 40
O herói, no entanto, ficaria marcado na memória afetiva de muita gente, inclusive deste escriba, graças a um seriado de TV produzido por William Dozier em 1966 para a ABC, detonando a primeira Batmania e chegando a aparecer na capa da revista “Life” em Janeiro do referido ano. O tom de aventura, no entanto, era diluído pelo mais puro deboche e nonsense com Bruce Wayne ganhando a forma do barrigudinho Adam West, acompanhado do seu pupilo Dick Grayson (Burt Ward) o impagável menino prodígio e suas santas exclamações. Muitos se equivocam ao julgar o seriado de TV. De fato, ele distorce a persona amargurada e as habilidades investigativas do herói. Mas, é o produto de uma época e assim deve ser analisado.
O maior destaque ficava, no entanto, para a marcante galeria de vilões personificada por grandes artistas da época: Cesar Romero (galã de diversos filmes Hollywoodianos nos anos 40 e 50) como o Coringa, Burguess Meredith (ator de currículo prolífico nas telas) como o Pinguim, Otto Preminger (diretor de cinema) como Mr. Freeze, Liberace (o grande pianista) como Chandell, e entre tantos outros dignos de menção, Julie Newmar, a primeira Mulher-Gato, cuja sensualidade mexia com os alicerces do herói mascarado e com a garotada que assistia ao seriado. O sucesso na TV levou ao filme “As Aventuras de Batman e Robin” realizado entre a primeira e a segunda temporada da série, levando o elenco da TV para a tela grande, com a exceção de Julie Newmar estava ocupada filmando “O Ouro de MacKenna” com Gregory Peck, e não pode aparecer no filme do homem-morcego, sendo substituída por Lee Merriwether, ex- miss America em 1954.
O seriado ainda resgatou a personagem da Tia Harriet (Madge Blake) e o fiel mordomo Alfred (Alan Napier) que na época não aparecia nas HQs. Na terceira temporada, a audiência já declinava quando Dozier introduziu Yvonne Craig (ex bailarina que atuou também ao lado de Elvis Presley) como Barbara Gordon, a Batgirl , que era filha do Comissário (o veterano Neil Hamilton) e auxiliava os heróis na luta contra o crime. O clima das HQs é reforçado pelas onomatopeias coloridas que invadem a tela nas cenas de briga e a contagiante música tema de Neal Hefti. Foram 120 episódios que reproduziam o clima dos antigos seriados com as dramáticas chamadas que serviam de gancho entre um episódio e outro : “Conseguirão nossos heróis escapar da terrível armadilha? Não percam a continuação, mesma bat-hora, mesmo bat-canal!”.
Passaram praticamente 20 anos para que fosse anunciado um novo projeto de levar as Hqs de Batman para as telas. Na verdade, desde 1980 já existia um roteiro escrito por Tom Mankiewicz (co-autor de “Superman o Filme”), mas este foi descartado quando, em 1986, Tim Burton (vindo do sucesso de “Beetlejuice – Os Fantasmas de Divertem”) já havia sido contratado pela Warner (dona dos personagens da DC Comics) como diretor. Depois de cogitarem nomes como Bruce Willis, Arnold Schwarzenegger, Mel Gibson, Tom Cruise, Emilio Estevez, Kurt Russell, Jeff Bridges, Harrison Ford entre outros , o escolhido foi Michael Keaton para o papel de protagonista, o que desagradou a muitos fãs, já que o ator não tinha o tipo físico adequado ao papel. Contudo, quando cartazes expondo o  bat-sinal se espalharam pela cidade antecipando a estreia no Brasil, que aconteceu em Outubro de 1989, o filme veio a se tornar um sucesso acumulando uma bilheteria mundial acima de $300 milhões. A cenografia de Anton Furst conferiu nas telas um visual impressionante embalado pela trilha sonora de Danny Elfman.
Da esquerda para a direita: O Bat-sinal, Jack Nicholson & Michael Keaton no filme de 1989 e Michelle Pfeiffer como Mulher-Gato no filme de 1992
O filme “Batman” peca, no entanto, por algumas liberdades tomadas com o roteiro que muda a origem do herói transformando o Coringa no assassino dos pais de Bruce Wayne, apenas para produzir um efeito de causa e consequência ligando herói e vilão, mas que nada tem a ver com a HQ original. Os papéis secundários estavam rasos ainda que interpretados por atores de renome como Jack Palance (o gangster Carl Grisson) e Kim Basinger (a repórter Vicky Vale – interesse romântico de Bruce Wayne criado por Bob Kane nos anos 40). A caracterização se sobressaiu tão acima do roteiro de Sam Hamm que o papel do herói fica à sombra da atuação de Jack Nicholson como Coringa (em papel antes pensado para Robin Williams) que monopoliza as atenções e rouba o filme para o palhaço. O contrato de Nicholson foi milionário ficando com um percentual da bilheteria mundial e royalties dos produtos licenciados. Sem dúvida, o palhaço riu por último!
Em 1992, Burton e Keaton voltam para “Batman- O Retorno”, com o visual ainda mais dark e um roteiro melhorado que coloca Batman contra o Pinguim (Danny DeVito) que concorre para prefeito de Gotham City, uma ideia que chegou a ser explorada no antigo seriado de TV. Burguess Meredith, que interpretou o Pinguim anteriormente chegou a ser considerado para uma aparição,  mas problemas de saúde o impediram. Uma presença muito forte no filme é Selina Kyle, a Mulher-Gato, papel cobiçado por muitas atrizes e que ficou com Michelle Pfeiffer. Novamente, os vilões eclipsam o herói que ainda enfrenta um terceiro antagonista, o empresário corrupto Max Schreck (homenagem ao ator que interpretou Nosferatu do clássico de F.W.Murnau) interpretado por Christopher Walken.
Da esquerda para a direita : Val Kilmer como Batman / Bruce Wayne e o trio dinâmico do último filme : George Clooney, Chris O’Donnel e Alicia Silverstone
Apesar do sucesso nas bilheterias, os executivos da Warner queriam um filme menos dark e desentendimentos com Tim Burton – que permaneceu ligado à franquia apenas como produtor - levaram à uma mudança de direção para a sequência “Batman Eternamente” lançada em 1995, com direção de Joel Schumacher, que trouxe Val Kilmer para o papel do herói quando Michael Keaton não demonstrou interesse em continuar. O novo filme apresentou um visual mais colorido, um novo interesse romântico na figura da psicóloga interpretada por Nicole Kidman, além de introduzir na franquia o personagem do Robin que teve o nome de Marlon Wayans cotado durante o período de Tim Burton à frente da franquia. O papel, no entanto, ficou com Chris O’Donnell depois de cogitado o nome de Leonardo DiCaprio, e curiosamente, um então jovem Christian Bale. Contudo, o roteiro continuou a explorar mal o potencial dos personagens. Tommy Lee Jones é mal aproveitado como Duas Caras, um personagem que nas HQs possui uma carga dramática maior, restando para Jim Carrey os melhores momentos numa atuação afetada como o Charada, o príncipe dos enigmas.
O resultado foi bem nas bilheterias, o suficiente para um quarto filme lançado em 1997: “Batman & Robin”, também dirigido por Joel Schumacher, que transformou o filme num baile de carnaval, com cores em demasia para um personagem de natureza tão sombria quanto Batman. Tendo Val Kilmer trocado Bruce Wayne pelo Santo, Schumacher trouxe George Clooney, que na época estrelava o bem sucedido seriado “ER” e teve boa projeção no cinema em “Um Drink no Inferno”. Apesar do carisma em cena de Clooney, o filme é um lamentável engano com diálogos patéticos, um roteiro que parece só existir para justificar o grande número de personagens – sem nenhum aprofundamento – desfilando nas frente das câmeras. Desta vez nem os vilões funcionam já que tanto Arnold Schwarzenegger (o  Sr.Frio)  como Uma Thurman (Hera Venenosa) parecem adversários patéticos, sem qualquer traço dos personagens aos quais correspondem nas HQs .O elenco inflado ainda tem a Batgirl, de Alicia Silverstone, que não acrescenta nada à história, nem sequer o apelo juvenil. O resultado desastroso do filme tanto em termos artísticos como de bilheteria afundou a franquia por um longo tempo.
Apesar das tentativas de Joel Schumacher de retornar para um novo filme, Batman ficou na geladeira até a primeira metade da década seguinte quando Christopher Nolan, recém saído dos ótimos “Amnésia” e “Insônia”, assume o posto de diretor e apresenta uma visão mais realista do herói dos quadrinhos, explorando a atmosfera noir e produzindo um filme de ação sem deixar de lado a abordagem psicológica que ficou superficial nos filmes anteriores.
O roteiro assinado por David Goyer para “Batman Begins” acerta na escalação de um elenco que não eclipsa, mas que fortalece a história, destacando Christian Bale perfeito como Bruce Wayne com sua “máscara” de playboy irresponsável e desinteressado ou como um cruzado de determinação férrea. Michael Caine confere nobreza ao mordomo Alfred, o sempre ótimo Gary Oldman assume o papel do Tenente Gordon com semelhança impressionante com o traço de David Mazzuchelli, Morgan Freeman confere a credibilidade habitual com a qual sempre atua, e Liam Neeson surpreende como o vilão Ra’s Al Ghul. O grande mérito da adaptação de Nolan é que o filme funciona muito bem tanto para os aficionados pelo gênero como para os que apreciam um filme de ação convencional.
Nolan consegue se superar no filme seguinte “Batman: O Cavaleiro das Trevas” de 2008 causando uma forte impressão com a atuação de Heath Ledger – um Coringa que é pura força do caos e irrefreável maldade em assustadora caracterização, a derradeira da carreira de Heath Ledger que foi agraciado com um Oscar póstumo de ator coadjuvante. O roteiro alcança o nível da perfeição contrapondo sanidade e loucura, o bem e o mal, antíteses que constroem a natureza humana e que moldarão o trágico destino do promotor Harvey Dent numa corretíssima atuação de Aaron Eckhart.
Coringa - Principal vilão do Batman, interpretado por  Heath Ledger
O ciclo se fecha agora com “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, canto do cisne de Nolan e Bale no universo do Homem Morcego, deixando – no entanto – o vazio de saber que tragédias como a do Colorado em 20 de Julho último ocorrem e não temos um herói para nos salvar,  pois as sombras que nos cercam são geradas por nós mesmos, pelos valores que deixamos de ter num mundo onde não há morcegos para nos salvar de nós mesmos.





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